CPI do INSS vota convocações de cunhado e ex-namorada de Vorcaro
A CPI que investigafraudes envolvendo descontos em benefícios do INSS deve votar nesta quinta-feira uma série de requerimentos de convocação que ampliam o alcance das apurações e miram entorno do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, além de executivos do sistema financeiro e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto.
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Entre os nomes cuja convocação está na pauta está o empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro. Casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, ele integra o círculo familiar mais próximo do controlador do Banco Master, responsável por movimentações sob investigação.
Zettel tem atuação no setor de investimentos e já esteve ligado a negócios e fundos privados associados a empreendimentos de alimentação saudável, academias e marcas de lifestyle. Seu nome passou a aparecer com mais frequência nas apurações após operações da Polícia Federal que investigam suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o banco.
Além da proximidade familiar com Vorcaro, o empresário também chamou atenção por sua atuação política. Ele foi um dos maiores doadores individuais das eleições de 2022, com repasses que somaram cerca de R$ 5 milhões para campanhas de aliados do bolsonarismo, incluindo o então presidente Jair Bolsonaro e o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Para parlamentares da CPI, o depoimento pode ajudar a esclarecer a estrutura empresarial e financeira que orbitava o Banco Master e eventuais conexões com empresas ou operações investigadas no esquema.
Outro requerimento pede a convocação de Martha Graeff, ex-namorada de Vorcaro. Parlamentares querem esclarecimentos sobre eventuais vínculos com empresas ou operações financeiras que passaram a ser analisadas pela comissão. A ideia é entender se pessoas do entorno pessoal do empresário participaram de negócios, transferências patrimoniais ou operações societárias relacionadas ao grupo investigado.
Também está na lista de convocações o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, que comandou a autoridade monetária durante parte do período em que operações financeiras investigadas pela CPI teriam ocorrido. Senadores avaliam que o depoimento pode ajudar a esclarecer a atuação de instituições financeiras e eventuais falhas de supervisão no sistema.
Além desses nomes, os parlamentares devem votar convocações de executivos ligados ao Banco Master, instituição associada a parte das operações analisadas pela comissão. Entre eles estão Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, diretor da instituição, e Luiz Antonio Bull, responsável por áreas como risco, compliance, operações e tecnologia.
Outros requerimentos em pauta também pedem a convocação da empresária Roberta Luchsinger e da publicitária Danielle Miranda Fonteles, além do ex-superintendente do INSS no Nordeste Marcos de Brito Campos Júnior.
A lista inclui ainda a dirigente da Associação dos Aposentados do Brasil, Lucineide dos Santos Oliveira, o empresário João Vitor da Silva, ligado à empresa Spyder Consultoria, Mauro Caputti Mattosinho, o ex-policial civil Rogério Giglio Gomes, o advogado Renato de Matteo Reginatto e o presidente da J&F Participações, José Antonio Batista Costa.
Também está entre os alvos Edson Claro Medeiros Júnior, apontado como ex-colaborador de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, personagem considerado central nas investigações.
Além da votação dos requerimentos, a sessão também prevê oitivas com representantes de instituições financeiras e do próprio INSS. Devem prestar depoimento Lea Bressy Amorim, diretora de Tecnologia da Informação do INSS, e Paulo Gabriel Negreiros de Almeida, tesoureiro da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA). O depoimento de Artur Ildefonso Brotto Azevedo, CEO do Banco C6 Consignado, está previsto pela comissão, mas o executivo já havia obteve anteriormente autorização do Supremo Tribunal Federal para não comparecer à CPI e pode faltar.
A empresária Leila Mejdalani Pereira, presidente do Banco Crefisa, também havia sido chamada para prestar depoimento, mas conseguiu liberação pelo Supremo Tribunal Federal para não comparecer. Sua oitiva foi remarcada para a próxima quarta-feira.
Criada para apurar suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo descontos associativos aplicados diretamente em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, a CPI busca mapear a atuação de intermediários, associações e instituições financeiras que teriam participado do esquema.
12.03.2026 03:20
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