Feri cruelmente várias pessoas, aqui, desesperada, pois queria retornar ao mundo normal e viver e amar nele. Bem, não pude, e odiei-os por me mostrarem isso.
Feri cruelmente várias pessoas, aqui, desesperada, pois queria retornar ao mundo normal e viver e amar nele. Bem, não pude, e odiei-os por me mostrarem isso.
Percebo que meu amor e minha fé por você não podem ser apagados nem anulados pela bebida, ou quando me atiro na cama de outros homens.
Não promova, ah, não promova uma estagnação artificial inexpugnável; caia, levante e cresça, como fui capaz de fazer hoje, finalmente.
Eu só quero vê-lo, ficar a seu lado, passear, conversar do jeito que as pessoas fazem, imagino, depois que passa a época do amor (embora eu não esteja fingindo que deixei de querer ficar com você, apaixonadamente).
Eu lhe peço para ponderar essas coisas, no coração e na mente, pois uma vejo uma questão subitamente profunda: por que foge de mim, sabendo que eu tornaria a vida mais rica, isso sim, apesar dos pesares?
Sinto atração por bebês, cama e amigos brilhantes, por um lar magnífico estimulante onde gênios tomam gim na cozinha após um jantar delicioso, lendo seus romances, explicando por que o mercado de ações está assim e discutindo o misticismo científico.
Com essa estranha noção que me invade, como clarividência, sei que estou segura de mim e de meu amor enorme e assustadoramente atemporal por você.
Compreensão. Amor. Dois mundos. Sou simples o suficiente para amar o desabrochar e considerar tolo e terrível que você chegue a negá-lo a nós, sendo maravilhoso o fato de pertencer somente a nós dois.
Quando eu estava fraca, havia uma razão; agora não vejo nenhuma. Não vejo por que não posso morar em Paris, fazer o mesmo curso e estudar francês a seu lado.
Por que você nos proíbe de criar o mundinho limitado que temos à mão? Por que o tabu? Peço que pergunte isso a si mesmo. E se tiver coragem ou consciência, diga-me por quê.
Agora sei que sangrei tanto a ponto de me exaurir, e que a mera abstinência das lâminas não pode me curar.
Posso entender, se você está pensando que ficar comigo aumentará meu vínculo com você ou me deixará menos livre para procurar outra pessoa.
Suponho que eu tenha ficado mais surpresa com a intensidade que me liga a você e com o fato de você me deixar assim, dilacerada, com o coração despedaçado, sem anestesia nem pontos.
Sou humana o bastante para querer conversar com o único outro humano que importa neste mundo.
Se não quiser mais escrever para mim, mande um cartão-postal em branco, sem assinatura, alguma coisa, qualquer coisa, para me mostrar que não rasgou minhas palavras e as queimou antes de saber que sou simultaneamente pior e melhor do que pensava.
Agora a súbita consciência completa de meu terrível sofrimento eterno tomou conta de mim, preciso saber se você compreende isso e o porquê de eu escrever de vez em quando.
Eu sou, para minha própria mágoa lancinante, mais fiel do que seria adequado a minha paz e integridade.
Vivo em dois mundos e enquanto estivermos separados assim permanecerei.
Eu estava pensando nos poucos momentos de minha vida em que me senti totalmente viva, elétrica, usando todo o meu potencial: corpo e mente, em vez de distribuir migalhas.
Se você puder aceitar a fraqueza em mim que me levou a escrever a carta anterior, servil, suplicante, admitindo que pertence à mesma mulher que escreveu a primeira carta cheia de fé e força, e amar a mulher inteira, então saberá como o amo.
Não conseguia admitir, na época, como admito agora, o fato essencial mais trágico: amo você de todo o coração, corpo e alma; na sua fraqueza como na sua força; e para mim, amar um homem, mesmo na fraqueza, é algo que nunca fui capaz de fazer na vida, antes.
Realmente, foi ridículo: como pode uma amante me libertar. Quando nem mesmo você, nem mesmo os deuses que existem, podem me libertar, tentando-me com todos os tipos de homem por todos os lados?
A mulher mais íntima e imediata (que me torna, ironicamente, tão sua) me atormenta até o delírio, dizendo: eu nunca conseguirei me libertar de você.
Não estou lhe dizendo isso porque quero parecer nobre; quero muito não ser nobre.
Eu sei agora o quanto o amo, profunda, assustadora e totalmente, acima de qualquer compromisso, acima de quaisquer reservas mentais que tenha tido a seu respeito, até o dia de hoje.
Talvez agora eu saiba, de um jeito que nunca deveria saber, que você tornou a vida mais fácil e me disse que eu poderia viver a seu lado.
Estou comprometida com você por minha escolha (embora não tivesse como saber, quando me aproximei de você no início, que isso ia doer, doer, doer tanto e eternamente)
Por que, por que você não quer me encontrar e ficar comigo enquanto ainda resta este tempo mínimo antes dos anos terríveis e infinitos
Esta parte da mulher que há em mim, a parte concreta, presente, imediata, que precisa do calor de seu homem na cama e a companhia de seu homem na mesa e a ideias de seu homem em comunhão com a alma: esta parte ainda clama por você.
Escrever-lhe e revelar meus poemas (que são todos para você) e raros textos publicados, e, mais terrível que tudo, vê-lo mesmo por um período muito curto, quando você está perto, e só deus sabe quando seremos perdoados por tantos escrúpulos.