Hoje converso com Francisco Pereira Coutinho, professor catedrático e autor do livro Guerra, Mentiras e Direito Internacional, a propósito dos quatro anos da invasão e guerra na Ucrânia, sobre a escalada militar das últimas semanas.
Hoje converso com Francisco Pereira Coutinho, professor catedrático e autor do livro Guerra, Mentiras e Direito Internacional, a propósito dos quatro anos da invasão e guerra na Ucrânia, sobre a escalada militar das últimas semanas.
Quanto à bomba, há três décadas que está a semanas de estar pronta e foram os EUA que, pela segunda vez, abandonaram as negociações, depois de rasgarem o acordo de Obama. Agora, num mundo sem regras, a única garantia de soberania é ter armamento nuclear.
Apesar das promessas, os argumentos do Iaque repetem-se: democracia e armas. Não é provável que Trump consiga substituir, pelos ares, os déspotas religiosos pelo filho de um déspota laico. Mas pode oferecer-nos um caos ainda mais perigoso do que no Iraque.
Gonçalo Lopes é presidente da Câmara de Leiria desde 2019 e Ana Abrunhosa é presidente da Câmara de Coimbra há escassos meses. No Perguntar Não Ofende de hoje, explicam o que estas cheias nos dizem sobre o país.
Que velho
O PSD passa de partido charneira, que distribui jogo, para partido ensanduichado, que se põe de fora. Entrega o centro ao PS e a liderança da direita ao Chega. Cada primeiro voto em Ventura será mais um eleitor potencial no Chega quando a economia piorar.
Os partidos mais à esquerda continuam em crise profunda. Estes resultados nada dizem, porque a pressão do voto útil contra Cotrim e Ventura os determinou. Mas não conseguiram inventar um candidato agregador. O segredo não é a união ou a competição, é a superação.
não queiram mudar de governo, não veem o Governo como um trunfo. Continuam a acreditar na teoria dos cestos. E que a TV ajuda a promover candidatos, mas não os inventa. Marcelo esmagou porque é Marcelo. Mendes foi esmagado porque é Mendes.
HGM prova que a independência não garante votos e que a esquerda e a direita ainda contam como referências. As pessoas estão ansiosas por coisas novas, mas as que prevalecem nasceram das velhas, não do vácuo. O resultado de LMM, depois de se colar ao Governo, prova que mesmo que as pessoas
da AD e da IL a perderem a virgindade e a passarem a potenciais eleitores do CH. Boa parte do voto em JCF não é “liberal”. É de quem percebeu que LMM não ia lá. Mas o desgaste da governação continuará a reconfiguração o sistema, de que o PS foi a 1ª vítima e o PSD será a seguinte.
A política está a mudar, mas a mudança dá-se aos solavancos. AJS mostrou que ser socialista não é um estigma. Não foi o candidato contra o PS e só cresceu quando assumiu o seu lugar. AV vale o mesmo que o CH. Mas a falta de clareza da direita democrática pode levá-lo acima dos 30%, levando eleitores
Não se limita a normalizar Ventura – o que fez na campanha, equiparando-a a Seguro. Fica ensanduichado entre uma IL e um Chega em crescimento e um centro que decide abandonar.
O derrotado da noite é Montenegro. E a sua neutralidade, na segunda volta, entrega a Ventura da liderança da direita, em vez de o acantonar no espaço antidemocrático. É uma escolha de consequências estruturais, recolocando o PSD e acelerando a reconfiguração da direita.
Mas a visão colonial das relações internacionais não nos é estranha, mesmo hoje. O mundo sabe que a guerra da Ucrânia só ganhou estatuto universal por ocorrer no centro. O olhar colonial europeu fragiliza a sua posição moral num mundo onde as “esferas de influência” regressaram.Também na Gronelândia
influência em Copenhaga do que em Washington. Já o choque europeu nasce de a ambição colonial dos EUA nos incluir. Estamos habituados a ser parceiros estratégicos do imperialismo americano, não um território a subordinar ou a deixar entregue à Rússia. Com Trump, tudo é caótico, brutal e despudorado.
em lado algum. E a tentação é reduzir isto a um défice cultural ou à subsidiodependência. A forma como Trump olha para a Gronelândia não é muito diferente da dinamarquesa. A diferença é que o povo Inuit faz parte da paisagem política e histórica da Dinamarca e sabe que, apesar de tudo, terá mais
claro na frieza dos números: uma das taxas de suicídio mais elevadas do mundo e um abandono escolar impensável nos países escandinavo. Em 2 gerações, um povo nómada e caçador viu o seu modo de vida desmantelado e substituído por um urbanismo apressado, empregos escassos e a sensação de não caber
A Gronelândia beneficia de transferências financeiras e proteção, mas não controla matérias centrais da sua política externa e de segurança. A Dinamarca mantém vantagens estratégicas, sem assumir plenamente os custos políticos. Ali se vive a continuação do colonialismo europeu em pleno século XXI,
Montenegro fala em "melhores empregos e melhores salários", enquanto desqualifica o trabalho e promove a informalidade. Estas medidas revelam a natureza da economia que este Governo escolheu representar.
escrúpulos. Sobretudo os imigrantes, alvos preferenciais do trabalho não declarado. O fisco perde IRS e IVA. Aumentam a concorrência desleal e a economia paralela. Para a economia, um modelo de competitividade assente na redução de custos através da ilegalidade.
descriminalização da omissão de comunicação de trabalhadores à Segurança Social, proposta na lei laboral. Com as três decisões, a Segurança Social perde contribuições e as carreiras contributivas serão mais curtas. Os trabalhadores perdem proteção social e ficam mais dependentes de empregadores sem
o custo é reduzido para um quarto. A lei exigia comunicação à Segurança Social 15 dias antes do início da atividade. Agora, pode ser no próprio dia, permitindo que a formalização só aconteça quando e se a fiscalização aparecer. Não declarar trabalhadores tornou-se menos arriscado. A isto junta-se a
Não há mais nada para ver, imaginar ou conjeturar. Nem defesa da democracia, nem luta contra o narcotráfico. É a velha rapina de recursos pela força. Querem discutir o futuro? Aceitar a lei do mais forte é aceitar que é o mais forte que o decide.
Ontem foi a Ucrânia, hoje é a Venezuela, amanhã será a Gronelândia. A lei é simples: quem pode, toma. No sábado, Trump deixou claro o projeto colonial: vai governar a Venezuela e fazer muito dinheiro. Já o tinha dito em 2023 e repetiu — o petróleo venezuelano é dos EUA e ele quer controlá-lo.
presença de potências externas é uma ameaça. Nesse quadro, o uso da coerção económica (Argentina), da pressão política (Honduras) e da força (Venezuela) é legítimo. Como Putin faz na sua vizinhança. Estamos a assistir à divisão imperial do mundo e a fingir que os valores ainda importam.
ex-presidente das Honduras, condenado a 45 anos de prisão por tráfico de cocaína, é o cúmulo da hipocrisia. A National Security Strategy assume uma política externa centrada nos interesses económicos dos EUA e trata a América Latina como espaço regional de influência prioritária, onde a
Maduro é um ditador que apenas ofereceu miséria ao seu povo. Isso não legitima uma intervenção militar externa nem o rapto de um chefe de Estado — muito menos quando conduzidos por um inimigo da democracia. Invocar a “guerra às drogas”, quando Trump usou o perdão presidencial para libertar o
pela Gebalis, reduzindo drasticamente o já diminuto stock público e impedindo a rotação. Seguiram-se nomeações para a direção dos serviços sociais e para a empresa que gere os bairros municipais. Mais do que programa, o CH tem um exército de desempregados políticos à espera da mama do Estado.
de regulação do AL. Irão limitar às crianças portuguesas o apoio municipal a famílias sem vaga em creche financiada pelo Estado, apesar de estrangeiros pagarem os mesmos impostos e taxas e até terem direito de voto. Acompanhando o programa do CH, propõe-se vender até metade das 21 mil casas geridas
concentração inédita de poderes nas mãos de Moedas. É invulgar votar para ter menos poder. A menos que se saiba que se participará nas decisões essenciais. Moedas cedeu mais ao CH em semanas do que ao PS nos últimos 4 anos. E a aproximação é programática. Uniram-se para travar as já tímidas medidas