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Mare Nostrum Vol. 13 no. 1 (2022) revistas.usp.br/marenostrum/... #openaccess A Antiguidade do Nordeste Africano @juliencooper.bsky.social @fabiofrizzo.bsky.social @apademak.bsky.social
01.02.2026 15:36
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Por que a procrastinação não é preguiça — é pensamento rígido que o cérebro pode desaprender
A maioria de nós já passou por isso: o prazo se aproxima, a tarefa é perfeitamente possível, mas, em vez de começar, sentimos uma súbita necessidade de arrumar uma gaveta ou reorganizar os aplicativos do celular. A procrastinação parece irracional por fora, mas é extremamente convincente por dentro. Embora muitas vezes seja tratada como uma falha de disciplina, pesquisas mostram que ela está muito mais ligada a quão flexivelmente (ou inflexivelmente) nosso cérebro reage ao desconforto e à incerteza.
Em outras palavras, procrastinação não é um problema de gestão do tempo — é um problema de regulação emocional. As pessoas não adiam porque não sabem planejar; adiam porque o cérebro quer escapar de um estado interno difícil. Quando pergunto a estudantes por que procrastinam, as respostas são surpreendentemente consistentes: “Não sei por onde começar”, “Me sinto perdido”, “Fico ansioso”, “Estou sobrecarregado”. Nenhum diz “não me importo” — a procrastinação geralmente vem de se importar demais.
De forma crucial, a evitação impede o cérebro de descobrir algo importante: começar costuma ser recompensador. Mesmo um primeiro passo minúsculo pode liberar dopamina. Isso ajuda a motivação a aumentar depois que começamos — não antes. Mas, quando evitamos a tarefa, nunca experimentamos esse sinal de recompensa, e ela continua parecendo igualmente ameaçadora no dia seguinte.
Flexibilidade cognitiva
Flexibilidade cognitiva é a capacidade de atualizar expectativas quando as circunstâncias mudam, mudar de estratégia e sair de padrões improdutivos. É um componente básico da aprendizagem: o cérebro faz previsões, recebe novas informações e se ajusta de acordo.
Imagine que você está esperando um ônibus preso no trânsito. Uma pessoa com pensamento flexível muda rapidamente para uma rota de metrô que normalmente é mais longa, mas naquele momento está mais rápida. Uma pessoa inflexível continua esperando — não porque desconheça a alternativa, mas porque mudar parece exigir esforço ou soa “errado”, e a mente permanece presa ao plano original.
Vejo esse padrão claramente em minhas pesquisas sobre transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Embora seja muito diferente da procrastinação, ambos envolvem dificuldade de sair de uma previsão inicial, especialmente quando há incerteza ou risco de erro. Quando o cérebro não consegue se atualizar, ele se fixa.
Os estudantes de hoje enfrentam uma tempestade perfeita. Celulares e redes sociais reduzem a capacidade de atenção. O perfeccionismo amplifica a autocrítica. E a ansiedade está em níveis recordes nas universidades do Reino Unido. Juntos, esses fatores enfraquecem a capacidade do cérebro de se atualizar e se adaptar — exatamente a habilidade necessária para iniciar uma tarefa desafiadora.
Do ponto de vista neurocientífico, a procrastinação é um cabo de guerra entre dois sistemas. Um é o sistema de ameaça, ativado quando uma tarefa parece incerta, trabalhosa ou avaliativa. Isso gera pensamentos como “E se ficar péssimo?” ou “E se eu falhar?”. O outro é o sistema de recompensa, ativado por tudo o que parece bom agora (rolar o feed, arrumar coisas, trocar mensagens com amigos).
Quando o sistema de ameaça domina, começar pode se tornar impossível. Para pensadores mais rígidos, em particular, o cérebro tem dificuldade de atualizar sua previsão inicial de que a tarefa é ameaçadora ou avassaladora. A evitação vira a única opção — e aquele pequeno alívio ensina o cérebro a repetir o comportamento.
De fato, pesquisas mostram que a procrastinação é essencialmente uma reparação de humor de curto prazo: uma fuga rápida do desconforto que cria mais estresse depois.
Uma geração atrás, procrastinar exigia criatividade. Era preciso encontrar distrações. Hoje, elas encontram você. As redes sociais são projetadas para acionar a busca por novidade movida a dopamina. Para alguém já ansioso ou sobrecarregado, o celular se torna uma escotilha de escape sempre presente. Como disse um estudante: “É mais fácil não fazer o trabalho”. Não porque o trabalho não importe — mas porque a alternativa oferece recompensa imediata.
A flexibilidade pode ser treinada
Então, como evitar a procrastinação? Não se trata de se tornar mais disciplinado, mas de fortalecer os sistemas cerebrais que permitem começar. Aqui vão algumas formas de fazer isso.
Reduza a tarefa. Divida o trabalho em unidades concretas e gerenciáveis — escrever um título, rascunhar alguns tópicos, ler uma página. Isso diminui a ameaça percebida de uma tarefa grande e “amorfa” e dá ao cérebro pequenas e frequentes recompensas de dopamina a cada etapa concluída.
Use micro-mudanças. Micro-mudanças são ações mínimas de iniciação — abrir o documento, colocar as anotações sobre a mesa. Elas não reduzem a tarefa em si, mas interrompem o estado de “travamento” e empurram suavemente o cérebro para a ação.
Mude a perspectiva. Reenquadre a tarefa como se estivesse aconselhando outra pessoa: “O que eu diria realisticamente a um amigo nessa situação?”. Isso suaviza o pensamento rígido focado na ameaça e ajuda o cérebro a gerar interpretações alternativas, mais flexíveis.
Construa tolerância emocional. O desconforto de começar atinge um pico rápido e depois cai. Lembrar-se disso pode tornar a evitação menos atraente.
Torne as recompensas imediatas. Combine a tarefa com algo prazeroso — música, uma bebida quente ou trabalhar perto de outras pessoas — para que o primeiro passo pareça menos punitivo e mais recompensador.
Em conjunto, essas estratégias fortalecem a forma de flexibilidade cognitiva mais relevante para a procrastinação — a capacidade de sair da evitação e entrar em ação quando uma tarefa é desconfortável. Outras formas de flexibilidade cognitiva (como alternância de regras ou flexibilidade motora) também podem ser aprimoradas, mas por meio de outros tipos de treino.
Se você se reconhece nos estudantes que descrevem sentir-se “ansiosos”, “sobrecarregados” ou “sem saber por onde começar”, isso não significa que você seja preguiçoso. Significa que seu cérebro está com dificuldade de mudar de estado. A procrastinação diz muito menos sobre força de vontade e muito mais sobre como lidamos com a incerteza e o desconforto.
E a parte encorajadora é que a procrastinação não é fixa. A flexibilidade melhora com a prática. Toda vez que você dá mesmo um passo minúsculo — abrir o arquivo, escrever a primeira linha — você não está apenas avançando na tarefa. Está mostrando ao seu cérebro que começar é possível, suportável e, muitas vezes, recompensador.
Com o tempo, essas pequenas mudanças se acumulam em algo poderoso: uma mente que se move em direção ao que importa, em vez de fugir do desconforto.
* Annemieke Apergis-Schoute é professora de Psicologia na Queen Mary University of London.
* Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o original.
Notícia da @oglobo.globo.com
"Por que a procrastinação não é preguiça — é pensamento rígido que o cérebro pode desaprender"
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04.01.2026 07:53
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Em experiências com o ChatGPT 5.1, fui pedindo para ele fazer imagens em formato pixel art, partindo de outras imagens como modelo ou não. Em nenhuma das várias vezes ele me apresentou duas opções, exceto quando eu pedi para ele fazer um retrato da Cleópatra.
01.12.2025 18:15
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Se encantou a camarada Clara Charf, depois de um século de lutas e sacrifícios pelas trabalhadoras e trabalhadoras.
O Brasil perde mais uma heroína de sua história.
Rest in Power, camarada.
Clara Charf, PRESENTE!
03.11.2025 16:19
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Sem sacanagem, com todo respeito, voltar pro 021 e me sentir em casa é bom pra caralho.
05.10.2025 13:49
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Há 30 anos atrás, Ellen Wood previu o futuro com uma clareza que hoje fica cristalina.
01.10.2025 18:51
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Fazer pesquisa em Ciências Humanas e Sociais, estudar, ler sobre o que se tem interesse é bom demais.
Com a redução cada vez maior do número de leitores e leitoras nos cursos de graduação, fico me perguntando quantos e quantas não vão nem chegar a descobrir esse prazer.
01.10.2025 13:33
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Mês que vem vou ter a felicidade de participar da Semana de Egiptologia do Museu Nacional (SEMNA).
Apareçam também!!!
17.09.2025 20:59
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Em algum momento, chegamos a achar que o pior resultado do antipetismo e da polarização foi a eleição do Bolsonaro, o projeto de destruição do país e da democracia pelo executivo e as Forças Armadas.
Nem demos atenção para o fato de que o pior resultado foi transformar o PL na maioria das Câmara.
17.09.2025 15:48
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Isso talvez seja só outra maneira de defender a Indigenização dos Clássicos, pela qual a @isisnaucratis.bsky.social já argumenta faz anos.
15.09.2025 12:58
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Então talvez seja o caso de saber se estamos mesmo "repetindo os gregos e os romanos" ou só reafirmando o que nós projetamos neles para justificar a estrutura do capitalismo, da sociedade burgursa e sua narrativa do progresso.
15.09.2025 12:58
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Será que nosso papel como historiadores(as) da Antiguidade não é REFLORESTAR O NOSSO IMAGINÁRIO sobre a cidade-Estado Antiga? Porque a pólis e a civitas sempre me pareceram mais associadas a uma "dinâmica coletiva" do que a essa urbanidade burguesa, privatizada e individualista.
15.09.2025 12:58
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Eu me questiono se a pólis clássica era mesmo tão cindida entre o urbano e o selvagem ou se isso não foi um viés que o mundo burguês ocidental moderno deu à Antiguidade (que chamou Clássica) ao plantar ali as suas raízes. E aí fica a pergunta...
15.09.2025 12:58
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Para isso, Krenak argumenta que maias e astecas desenvolveram uma cultura urbana em sentido expandido, menos baseada na "cidade" do que numa "dinâmica coletiva". A partir disso defende REFLORESTAR NOSSO IMAGINÁRIO, criando uma nova urbanidade "em vez de ficarmos repetindo os gregos e os romanos".
15.09.2025 12:58
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Aí ele defende uma "vida selvagem", que derrube essa concepção de civilização urbana elaborada a partir de uma alteridade com um ideal de bárbaro primitivo. Mostrando que essa ideia de civilização justifica toda sorte de violências.
15.09.2025 12:58
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Ele chama a cidade de "caixa preta da civilização" e mostra que a plataforma urbana do capitalismo se constituiu como "uma continuidade da pólis do mundo antigo, com gente protegida por muros, e o resto do lado de fora".
15.09.2025 12:58
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Ailton Krenak tem um texto intitulado "Cidades, pandemias e outras geringonças", no qual mostra como a narrativa do progresso, que justifica estarmos devorando o planeta furiosamente, está estruturada sobre uma oposição entre cidade e floresta.
15.09.2025 12:58
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Lembram quando, no início da década de 2010, com a Primavera Árabe, a gente achou que as redes sociais iriam servir para mobilizar as ruas e não se tornar uma espécie de "espaço para extravasar energia militante" que isolou pessoas no mundo real e desmobilizou as ruas?
15.09.2025 11:25
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Então viver a ascensão do fascismo é assim?
Eventos artísticos cancelados pela instituição, vistos revogados e pessoas DEMITIDAS de seus empregos, tudo por terem celebrado a morte do Charlie Kirk. Isso NO BRASIL!!!
Que loucura!!!
15.09.2025 10:42
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a man in a red shirt is in front of a sign that says black week
ALT: a man in a red shirt is in front of a sign that says black week
A semana inteira ouvindo julgamento, fui ouvir o Foro de Teresina especial do domingo passado e o @npto.bsky.social disse que o Fux ia passar vergonha, mas ninguém ia absolvernBolsonaro.
Vindo do 021, não dava pra subestimar o Luiz Foda-se, hein? RJ não é nem pra especialistas!
12.09.2025 19:32
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Melhor que essa sessão do STF de hoje só essa tangerina geladinha que tô comendo.
11.09.2025 18:41
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Flávio Dino me representa muito bem no STF. Claramente tem dificuldade de segurar as piadinhasbe zoeiras no meio do ambiente formal.
O que foi essa cutucada no Xandão sobre 1932? Ainda chegou a fazer a mesma piada que eu em casa sobre o advogado do Heleno ficar sem almoço.
09.09.2025 17:45
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07.09.2025 15:33
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Quando não é copa do mundo, sobra desfile militar mesmo. O importante é o uniforme.
03.09.2025 22:10
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Será que o mesmo vale para, sei lá, traficantes de drogas? "Somos críticos, mas aceitando financiamento."
02.09.2025 14:04
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Um programa crítico ao comportamento das Big Techs no desenvolvimento de suas IAs, financiado por anúncios de uma IA de uma Big Tech.
02.09.2025 14:00
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30.08.2025 16:22
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Ninguém sai, Veríssimo
30.08.2025 12:45
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Será que agora, com esse monte de celular de Bolsonaro e quetais apreendido não há material o suficiente pra desarquivar as denúncias dos crimes na pandemia?
27.08.2025 12:14
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Outro texto excelente e fundamental da @bianaaf.bsky.social pra gente ter clareza do pântano de reprodução do capital no qual estamos metidos, no qual até minha ida ao banheiro tá mercantilizada.
25.08.2025 13:17
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