Ataques de Israel matam 31 profissionais de saúde no Líbano em 12 dias, dizem autoridades
Ataques israelenses mataram ao menos 31 profissionais de saúde no Líbano desde 2 de março, segundo o Ministério da Saúde libanês, que também afirma que outros 51 trabalhadores da área foram feridos no período. As mortes ocorreram em meio à escalada do conflito entre Israel e o grupo armado Hezbollah, que levou a bombardeios e combates no sul do país.
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De acordo com as autoridades libanesas, Israel realizou ao menos 37 ataques contra trabalhadores e instalações médicas desde o início das hostilidades. Entre os alvos estariam equipes de emergência, ambulâncias e centros de saúde, incluindo estruturas da Cruz Vermelha e da Defesa Civil estatal.
Na noite de sexta-feira, um ataque israelense atingiu uma unidade de atenção primária à saúde na cidade de Borj Qalaouiyeh, no sul do Líbano. Segundo o Ministério da Saúde, o bombardeio provocou um incêndio e fez a estrutura do prédio desabar sobre os funcionários que estavam no local.
A pasta afirmou que quase toda a equipe médica que trabalhava no centro — incluindo médicos, paramédicos e enfermeiros — morreu no ataque. Ao todo, 12 pessoas foram mortas e apenas um trabalhador, gravemente ferido, sobreviveu. As autoridades informaram ainda que outras quatro pessoas permaneciam desaparecidas.
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Em nota, o Ministério da Saúde classificou o bombardeio como “conduta criminosa” e afirmou que o ataque “violou todas as leis humanitárias internacionais”. O órgão acusou Israel de realizar ataques mais amplos contra profissionais e instalações médicas, incluindo equipes de ambulância que participavam de operações de resgate na linha de frente.
Nesta semana, a Cruz Vermelha também informou que um de seus voluntários, Youssef Assaf, morreu em decorrência de ferimentos sofridos enquanto ajudava vítimas de um bombardeio no sul do país.
Escalada da guerra
Os ataques ocorrem em meio à intensificação da guerra no Líbano, iniciada em 2 de março após o Hezbollah lançar uma salva de foguetes contra Israel. A ação desencadeou uma campanha de bombardeios israelenses no território libanês. Desde então, o grupo armado continuou a disparar foguetes, enquanto tropas israelenses avançaram para o sul do Líbano.
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Segundo o Ministério da Saúde libanês, ao menos 826 pessoas morreram no país em decorrência de ataques israelenses desde o início do conflito, e cerca de 1 milhão foram deslocadas.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, condenou os ataques contra trabalhadores da saúde e afirmou que eles representam “um desenvolvimento trágico na escalada da crise no Oriente Médio”. As mortes, segundo autoridades de saúde do Líbano, refletem a pressão sobre o sistema médico do país, que atende mais de 2 mil civis feridos desde o início da violência.
Em comunicado, as Forças Armadas de Israel afirmaram que estão cientes dos relatos sobre o ataque ao centro de saúde em Borj Qalaouiyeh e disseram que o incidente está sob revisão. Israel afirma que seus ataques têm como alvo posições do Hezbollah, incluindo infraestrutura e instalações usadas para lançar ataques contra o território israelense. O grupo, apoiado pelo Irã, disparou foguetes contra o Estado judeu pouco depois de os Estados Unidos e Israel iniciarem ataques contra o Irã em 28 de fevereiro.
Neste sábado, o porta-voz militar israelense Avichay Adraee acusou o Hezbollah de fazer “uso militar extensivo de ambulâncias” e instalações médicas. Ele não especificou locais nem indicou se o centro de saúde atingido em Borj Qalaouiyeh estaria sendo utilizado pelo grupo. O Ministério da Saúde do Líbano negou a acusação e afirmou que a alegação é “nada mais do que uma justificativa para os crimes que está cometendo contra a humanidade”.
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Um alto dirigente do Hezbollah, que falou ao The New York Times sob condição de anonimato por não estar autorizado a comentar publicamente, também rejeitou a acusação, classificando-a como falsa e afirmando que a declaração busca minar a população afetada pela guerra. O Exército israelense também afirmou, sem apresentar provas, que o Hezbollah estaria transportando foguetes e outras armas ao longo da costa do Líbano em caminhões civis.
Histórico de ataques
Profissionais e instalações médicas no país já haviam sido atingidos anteriormente. Durante o conflito de 13 meses entre Israel e o Hezbollah em 2024, dezenas de trabalhadores de saúde e de resgate foram mortos, e centenas de ambulâncias e instalações médicas sofreram danos.
Israel também foi acusado de crimes de guerra por ataques contra instalações de saúde em Gaza durante a guerra de dois anos no território, segundo uma comissão de inquérito da ONU. Um procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI) afirmou em 2024 que alegações sobre a presença de membros do Hamas em hospitais de Gaza cercados pelo Exército israelense foram “grosseiramente exageradas”. O sistema de saúde do território foi amplamente destruído por ataques israelenses contínuos.
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Organizações humanitárias alertaram que a acusação do Exército israelense de que o Hezbollah estaria utilizando centros de saúde para fins militares pode ser usada como justificativa para novos ataques contra esse tipo de instalação no Líbano.
— Os ataques a ambulâncias, centros de atenção primária, organizações de defesa civil e profissionais de saúde que respondem a locais atingidos por bombardeios são extremamente alarmantes — afirmou Ramzi Kaiss, pesquisador da Human Rights Watch para o Líbano. — Pelas leis da guerra, médicos, enfermeiros e paramédicos são protegidos em todas as circunstâncias e jamais devem ser atacados. (Com New York Times)
14.03.2026 19:42
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